Cobogó - 100% brasileiro

Samanta | 8.3.15 | | |

Quando se fala em elementos arquitetônicos da arquitetura brasileira o cobogó é um o primeiro dos elementos que me vêm á mente...

Só depois vou me lembrar dos tijolos de vidro, brise-soleil, construção sobre pilotis, linhas retas, uso de concreto aparente, azulejos...

Quando era criança adorava ir ao Mercado Novo aqui em Belo Horizonte com minha mãe, pois via as pessoas na rua, mas ninguém da rua me via.



Foto: Guilherme Cunha
Mercado Novo - BH

 Lembro que sempre ventava mais na fachada da Avenida Olegário Maciel, além disso, o chão sempre tinha um desenho diferente dependendo da hora que a gente ia lá...

Pois a cada hora do dia o sol fazia uma sombra diferente depois de passar pelo cobogó.

HISTÓRICO

Muita gente desconhece, mas o cobogó é tido como um produto 100% brasileiro.


No ano de 1929 em Pernambuco na cidade de Recife, dentro de uma fábrica de tijolos, o mestre de obras Amadeu de Oliveira Coimbra, o ferreiro alemão Ernest August Boeckmann e o engenheiro Antônio Góis se mobilizaram com o intuito de criar um recurso arquitetônico que fosse capaz de minimizar as altas temperaturas da região nordeste.

Esse elemento foi concebido a partir do mesmo princípio das treliças e muxarabis de madeira utilizados nas casas da arquitetura colonial brasileira, ou seja, um elemento vazado que permite a passagem de luminosidade e ventilação e garante a privacidade interna em relação ao exterior.


Foto: Vitor Hugo Mori - Vitruvius
Diamantina - MG

O nome cobogó foi dado a partir das iniciais dos nomes de cada um de seus inventores, Coimbra, Boeckman e Góis.

Por ser de estrutura modular facilitava na fabricação em série o que já estava se tornando uma necessidade da época.

A primeira obra pública que utilizou esse recurso foi a Caixa D’Água Alto da Sé em Olinda no ano de 1934, obra do arquiteto carioca Luiz Nunes.